Deslocação Chipre 2009
- April 19th, 2010
Deslocação Chipre 2009
Dia 1
Quatro voos, um só objectivo: Nicósia, capital de Chipre, onde o nosso FC Porto defronta o APOEL, em jogo a contar para a quarta jornada da Liga dos Campeões.
Primeiro destino: Londres. O primeiro grupo de Super Dragões parte de Pedras Rubras, às 18.30, rumo ao aeroporto de Heathrow, em Londres; o segundo embarca às 21.15 com destino a Stansted. O aeroporto de Gatwick é o nosso ponto de encontro.
O primeiro grupo aterra na capital londrina ainda cedo, com tempo para dar um salto ao centro. Levados pelo metro, chegam a Holborn já passa das 23. Hora difícil para ali encontrar um restaurante de portas abertas. Graças à simpatia de um amigo do nosso líder, sentamo-nos à mesa de um restaurante italiano. Nada melhor para quem tem pela frente mais de 20 horas para chegar à ilha banhada pelo Mediterrâneo…
O repasto termina e ainda é cedo para apanhar o comboio que nos há-de levar ao aeroporto. Há que fazer passar o tempo e a esta hora em Londres só as discotecas estão abertas… É para aí que vamos. Duas horas bem passadas e partimos para Heathrow de comboio, não sem antes de passar pelo simpático restaurante que nos recebeu para recolher as malas que gentilmente nos guardaram.
Meia hora de viagem pela ferrovia e chegamos ao aeroporto. São cinco da manhã e o voo está marcado só para daqui a seis horas. Juntamo-nos ao outro grupo de dragões que já ali está desde as quatro da madrugada, após mais de três horas de viagem de autocarro desde Stansted. Não há direito a cumprimentos, porque ali já se passam umas facturas ao sono. Toca a fazer o mesmo.
Dia 2
9 da manhã: uns acordam, outros já vagueiam pelo aeroporto. O tempo agora passa depressa e não se demora a passar para a zona de embarque, onde se fazem compras com muitos descontos… São tantas as promoções que quando nos preparamos para embarcar, a polícia inglesa chega para cumprimentar os Super Dragões… Acompanhados pela dona de uma loja de onde diz terem sido levados uns artigos com desconto de 100% sem terem passado pela máquina registadora… O voo atrasa-se, mas não muito. O problema resolve-se em pouco tempo.
Tudo pronto para levantar e contar cinco horas de viagem. Cansativa, é verdade, mas bem animada. A nós juntou-se um simpático grupo de ingleses com quem a maioria se animou, ajudando a passar aquele tempo que parecia interminável.
São 16 horas em Portugal, 6 em Larnaca, cidade famosa pelas suas praias de areia negra e águas amenas, onde chegamos, finalmente. Tempo ameno, céu já estrelado: perspectiva-se uma terça-feira solarenga.
Falta chegar ao hotel, não muito longe do Aeroporto Internacional de Larnaca. Não há metro, como em Londres. Há que ir de táxi. Somos 14 gajos (dois alugaram um quarto e rumaram a outro hotel) e queremos ir sete em cada táxi. Os taxistas rejeitam a proposta. Insistimos, mas eles mantêm-se irredutíveis. Fodam-se! Com eles não vamos. Damos meia volta e bazamos. Mas… que alternativas temos? Depressa, chegamos à conclusão que não temos outra opção se não o táxi. Lá vamos nós em três carros, tal como eles queriam. O hotel não é longe e por isso a corrida também não fica cara.
Em 20 minutos, pomo-nos no Lordos Beach Hotel, quatro estrelas, piscina interior e exterior, em cima da praia… Bacano. Estão reservados três quartos com quatro camas. Mas somos 14?!… Sem stress. Teoria SD: onde cabem quatro, cabem cinco. Siga para o quarto.
Uma horita para esticar as pernas e tomar um banho, porque a fome começa a apertar. Uns abastecem-se no mercado em frente ao hotel, outros vão jantar ao centro de Larnaca.
De regresso ao hotel, de barriga cheia, ainda não há sono, mas há espírito para bater umas cartas, antes de deitar a cabeça na almofada.
Dia 3
São 8 da manhã em Portugal, 10 horas em Chipre – ainda faltam mais de nove horas para partir para Nicósia: é a hora do pequeno-almoço, no hotel e o sol começa a espreitar em Larnaca. Uns regressam ao quarto, outros aproveitam para conhecer o sol cipriota, a piscina e a praia. Tempo não nos falta…
São, finalmente, 19.30, em Chipre. Alugamos uma carrinha e siga para o estádio. 40 minutos de viagem e chegamos ao recinto. O ambiente está “de cortar à faca”, cheio de ultras do APOEL. Chegamos à bancada destinada aos adeptos visitantes a mais de uma hora do início do jogo.
O estádio canta em uníssono, ante de a bola começar a rolar. Bem-vindos ao inferno! Nada disso! Os gajos cantam a alto e bom som, mas estão longe de fazer daquilo um inferno. Afinal, não metem assim tanto medo. Nm nas bancadas, nem, tão-pouco, no relvado. Nós também nos fazemos ouvir – a televisão não mente…
Primeira parte e tudo a zero. Não estamos a ser brilhantes – longe disso… –, mas já podíamos estar a ganhar, se não fosse aquela perdida incrível do também incrível Hulk. E o Atlético ganha ao Chelsea, ao intervalo… Mau resultado para nós.
Chega a segunda parte e continuamos a falhar golos. A 15 minutos do fim, o Chelsea já ganha. É o que nós precisamos de fazer também para carimbarmos já o passaporte para os oitavos-de-final. Poucos minutos depois, Hulk acelera pela esquerda, dá para Farías que, por sua vez, joga para Falcão e o nosso goleador dá justa e finalmente todo o sentido à nossa viagem. Já não está tudo para ser feito! Está tudo feito, mesmo. O Atlético de Madrid empatou com o Chelsea e o apuramento está garantido. Para o ano, lá para Fevereiro ou Março, temos invasão marcada para uma qualquer cidade da Europa.
Regressamos a Larnaca, depois de uma hora parados no trânsito nas imediações do estádio, onde chegamos já passava da uma da madrugada. Com a barriga a dar horas, mas com tudo fechado na zona do hotel. Tudo não, quase tudo. Um bar refundido dá-nos de comer uma pizza que cai que nem ginja. Comemos rápido. Os gajos querem fechar e nota-se-lhes nas caras que estão com medo que nos vamos embora sem pagar. Ficam mais descansados quando nos vêm a contar o dinheiro – até nos acendem as luzes para vermos melhor – e aliviados quando nos vêm a sair dali com as dívidas todas saldadas.
Regressamos ao hotel para bater umas cartas antes de esticar as cruzes. Nem todos. Houve quem não pregasse olho antes das sete (hora de início do pequeno-almoço antes do hotel) e, entre uns jogos de cartas regados com uns copos (de água, claro…), se entretivesse a cantar, para todo hotel ouvir, o novo cântico dos Super Dragões, a ser brevemente apresentado num estádio perto de si…
Claro que os outros hóspedes do hotel acordaram em sobressalto com tamanha algazarra e alguns até foram bater à porta do quarto… só para ouvir melhor um novo grito de força dos dragões…
Dias 4 e 5
É o derradeiro dia em solo cipriota. Temos de sair dos quartos até ao meio-dia… Bem, não sejamos tão rigorosos. Os últimos a sair fizeram o “check-out” bem depois das duas, perante o desagrado dos funcionários, mortinhos de nos verem pelas costas.
Surge mais um problema. Há uma conta de 65 euros para pagar: três hambúrgueres, outras tantas coca-colas, uma despesa no bar do hotel e 20 euros de uma chamada de telefone de 100 (!!) impulsos. Sem stress. A coisa resolve-se rápido e fica tudo em paz.
São 2:30 no Chipre e a carrinha que nos vai levar ao aeroporto só tem chegada prevista para as quatro da tarde. Ainda há tempo para ir até ao restaurante matar a fome, ver umas montras e comprar uns “recuerdos” cipriotas…
À hora certa, no local combinado, lá está a carrinha, conduzida pelo irmão do motorista que no dia anterior nos levara ao estádio, para nos ir buscar. Três horas depois já o nosso avião rasga os céus de Chipre com destino a Londres, onde chegamos quase cinco horas depois.
Ainda não são dez da noite (hora de Londres) e já estamos em solo britânico, a contar mais de treze horas para levantar voo para o Porto… Tempo não nos falta para conhecermos bem o terminal sul do Aeroporto de Gatwick.
Ao fim de dez horas de espera, mas com poucas de sono, acedemos à porta de embarque. Já não falta muito. São 11.35 e já estamos dentro do avião que em, pouco mais de 100 minutos, aterra, finalmente, na nossa mui nobre, leal, invicta cidade do Porto, que tínhamos deixado há quase 120 horas.
Mais uma viagem cumprida, mais uma vitória na mala. Que assim se repita, no próximo domingo, no Funchal.

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