Deslocação a Olhão 2009

( Autor Desconhecido )

1ª parte – Preparação para a viagem e concentração

Era, sem dúvida, um sábado diferente. Apesar do tédio típico de um sábado normal em que pouco ( ou nada ) faço sentia uma estranha ansiedade dentro de mim. Ás 23h59 íamos partir da Invicta rumo ao Algarve para apoiar o nosso Futebol Clube Do Porto.

Desta Forma, e como é habitual , juntamos um grupinho para ir às compras nos SuperMercados das redondezas. Whisky, Vodka, Absinto, Cerveja, Vinho, Sangria,… são alguns dos items que trouxemos para a viagem. Com o gelo que a menina do Pingo Doce nos facultou e a arca enorme que um dos nossos emprestou foi fácil arranjar uma maneira de ter bebidas frescas para a viagem inteira. Na altura podia jurar que tínhamos álcool para “dar e vender” e que ia durar para a viagem de ida e volta… como me enganava….

Por volta das 23h30 já me encontrava no local combinado para a concentração com o pessoal do meu grupo. O silêncio e tédio que imperava naquele sitio não durou muito. Em pouco tempo aquele local tornou-se um autentico “ninho” de verdadeiros Ultras. Muitos cânticos, muita cerveja e muito fumo foi o suficiente para proporcionar um ambiente incrivelmente espectacular, digno de verdadeiros dragões, enquanto esperávamos pela camioneta. Por volta das 00h30 a camioneta chegou sem grandes atrasos.

2ª parte – No autocarro rumo ao Algarve

Rapidamente inseri a arca com o álcool fresco dentro do Autocarro, abordei o pessoal para entrar e arrancamos sem grandes demoras para não nos atrasarmos em relação as camionetas que saiam do Dragão. Dávamos assim inicio a uma das viagens mais longas que iríamos fazer esta época em Território nacional.

Dentro da camioneta assistia-se um ambiente Brutal. Poucos eram aqueles que se mantinham calados no seu lugar. Vivia-se um ambiente de Festa, amizade, e união que já à muito não via. Saltávamos, cantávamos, bebíamos, fumávamos,… ninguém ficou imparcial ao acontecimento. Em pouco tempo constatei que apenas o Motorista ia sentado no seu Lugar ( Embora ele tenha confessado que a vontade dele era estar a beber connosco… Claro que não bebeu se não levava logo dois cachaços! Primeiro a nossa segurança! ).

Assim, e com uma pedalada para beber álcool fora do normal, conseguimos acabar com o álcool todo, que se recordam era suposto durar para a viagem de ida e volta, antes de chegarmos à área de repouso da Mealhada, local onde apanhamos cerca de 8 ultras dos Super Dragões residentes naquelas zonas e que iam viajar connosco. Após arrancarmos da área de repouso o ambiente de festa continuou de uma maneira exponencial e inabalável.

Só após passar a MouroLandia o pessoal começou a acalmar. Foi então que também aproveitei para descansar visto não haver grandes preocupações pois as camionetas que sairão do Dragão ainda estavam atrasadas. Sem resistir ao cansaço, aliado ao efeito do álcool, adormeci. Viria a acordar mais tarde com um telefonema do nosso líder a dar indicações que tínhamos de seguir para Albufeira. Nesse momento já nos encontrávamos a chegar a Olhão mas rapidamente abordei o motorista e resolvemos a situação.

Só tornamos a parar na Rotunda à entrada de Albufeira para esperar pelas outras camionetas visto terem-se atrasado ainda mais devido ao Motorista de uma delas se ter esquecido de pagar o combustível numa das áreas de serviço. ( OK OK OK tudo bem que o motorista estava a viajar com os dragões mas se fosse uma sande ou um sumo… agora o combustível de um AUTOMÓVEL daquele TAMANHO… ). Assim sendo, enquanto esperávamos pelas outra camionetas, decidimos ir tomar o pequeno almoço num café a face da estrada. Qual o nosso espanto quando la chegamos? Estavam a oferecer gelados… Foi inédito ver todos os elementos da nossa camioneta dentro do café a comer gelados de todos os tipos e feitios… Na verdade os responsáveis pelo café devem ter feito tanta promoção à oferta de gelados que passado 15minutos tínhamos 4 carrinhas do Corpo de Intervenção da GNR a chegar ao café para usufruir da promoção ( Marotos em vez de trabalharem andam a comer gelados… ). Para o azar dos nossos amigos da GNR quando lá chegaram a promoção tinha chegado ao fim pois acabamos com o stock de gelados. Extremamente zangados com o sucedido meteram nos imediatamente dentro das camionetas ou não fossemos acabar também com o stock de whisky (que eles tanto parecem gostar) que também estava em promoção… Passado 2 minutos apareceram o resto das camionetas e seguimos para a Oura-Albufeira com a maior Tranquilidade do Mundo.

3ª parte – Em Albufeira (Oura)

Concentração dos Ultras do Campeão num parque junto à praia da Oura. Após o reencontro com os outros grupos da nossa claque seguimos, quase como uma milícia para a praia. Uns decidiram ir tomar banho, outros apanhar sol. Houve até quem ficasse sem calças no meio do mar… Parecia que naquele dia tudo era possível…

Depois de varias voltas pelas ruas e praias da cidade de Albufeira, sempre acompanhados por um maluco de moto-4  que se apaixonou por um dos nossos elementos, decidimos aterrar numa praia naquelas proximidades. É nesta altura que uma sombra longínqua começa aparecer do nada… só passado 5 minutos foi possível perceber que se tratava de uma pessoa de raça negra que vendia calções na praia e tinha um sotaque esquisito. Qual foi a nossa surpresa quando este individuo se aproximou de nós?? Calções em promoção… Foi então que inesperadamente uma onda gigante, mais parecia um mini-tsunami, entrou pela praia a dentro e levou com ela alguns artigos do nosso vendedor ambulante… Transtornado com a situação fechou as promoções para toda a gente e foi-se embora bastante zangado e abalado. Afinal uma onda daquelas não aparece todos os dias sabe-se la se passado 10 minutos não aparecia uma maior ainda e o levava inteiro… Nós decidimos fazer o mesmo demos a vaga daquele local.

Após fazer umas compras de última hora ( queijo e presunto para o lanche ) decidimos aterrar num acolhedor café-bar das redondezas. Foi ai que conhecemos o nosso menino Tarik!

4ª Parte – Não chores mais Tarik!

Era um café à moda inglesa com uma esplanada fantástica. Ambiente perfeito para passar o resto da tarde: sofás à patrão, televisão com emissão dos principais jogos da Premier League, bandeiras e manequins com camisolas dos principais clubes Europeus,… Enfim, estávamos no sitio ideal para passar o resto da tarde.

É então que surge o empregado de mesa: Alto, magro, pouco cabelo, grandes orelhas,… Uma personagem cómica que sem hesitar chamamos de Tarik! Depois de algumas brincadeiras lá fizemos os nossos pedidos. Tivemos cerca de 2h sentados a beber cerveja e a ver a bola. Que tasco perfeito!

A nossa tranquilidade acaba quando o nosso menino Tarik nos aparece a chorar como uma criança. Preocupados com a situação tentamos logo saber o que se estava a passar: com o elevado numero de pessoas que frequentavam o bar naquele momento houve quem se esqueceu de pagar a conta ( Provavelmente turistas que passavam férias naquela zona ). Rapidamente, e como boas pessoas que somos, decidimos fazer do problema do tarik nosso problema e 1euro a cada um resolveu a situação. Contudo, as situações estranhas não paravam de acontecer e passado 15 minutos, como que por obra do Diabo, os manequins que vestiam as camisolas dos principais clubes europeus começaram a ficar despidos. E cada vez o nosso menino Tarik chorava mais, chorava e chorava e chorava… E nós sem poder ajudar ( não podíamos estar sempre a dar 1euro ). É neste momento que o ambiente começa a ficar tenso quando as lágrimas do Tarik criaram um rio até ao posto da PSP mais próximo…

Passado 1min chega o corpo de intervenção e questiona o Tarik sobre o sucedido… O nosso sossego tinha terminado a partir do momento que os elementos do CI pensam que um Ultra não é um cidadão como uma outra pessoa qualquer e começam desde logo a revistar tudo e todos com modos menos apropriados como se fossemos uns criminosos.

Conclusão??
Ninguém tinha a(s) camisola(s).

E agora Tarik??
Não chores mais, juro-te que quando for ai passar férias levo-te uma camisola novinha do FCPorto que vendem naquela loja super conhecida, a feira de custoias… conheces? Acredita que vale muito mais do que as camisolas que tinhas ai daqueles Clubes de 2ª como o Manchester, Chelsea, Barcelona, Real Madrid,… E tudo oferecido pelos Super Dragões… Não é fantástico? Grande abraço meu menino.

Após sairmos do Tarik’sBar tivemos tempo para dar uns mergulhos na praia e voltar para as camionetas. Estava na hora de partir em Direcção a Olhão.

5ª parte – A chegada a Olhão

À chegada a Olhão concentramos todas as camionetas num parque junto a uma extensa Marginal ainda um pouco longe do estádio. Na altura já lá se encontrava a camioneta do Colectivo.

Quando íamos arrancar daquele local, rumo ao estádio ( não tenho a certeza se aquilo era mesmo um estádio ou um campo de Treinos ) fomos surpreendidos por cerca de 60 elementos da claque do Olhanense que tentaram apedrejar as camionetas. Sem hesitar saímos todos das camionetas e fizemos aqueles corajosos correr á nossa frente até a esquadra mais próxima… Afinal apedrejar camionetas com pessoas la dentro é fácil até o meu irmão que tem 4anos consegue agora enfrentar os dragões é que é o caralho…. Há gente mesmo triste…

Desde ai até o estádio viveu-se um ambiente verdadeiramente intenso proporcionado pelos adeptos daquela Terra que o que sabem fazer de melhor é fugir.

6ª parte – No estádio

Dentro do estádio a preocupação era outra. Há momentos para tudo mas na curva o nosso objectivo é apoiar ao máximo o nosso FCPorto. Tudo o resto é secundário e não deve ser feito se prejudicar a nossa participação no apoio à equipa. E assim foi, durante 90min demos o nosso melhor para ajudar o FCPorto a trazer mais uma vitória.

Sempre a cantar e sempre a incentivar os outros a cantar é uma filosofia que adoptamos. Só deus sabe o que me revolta ver turistas que não cantam, não batem palmas, não fazem um caralho… Afinal que estão eles ali a fazer? Quem vem para o meio de uma claque de Ultras, como a nossa, tem de se enquadrar nos traços  gerais da mesma caso contrário é preferível afastar-se e ver o jogo sentado como um adepto normal ( desculpem o aparte )

Todo o jogo decorreu na maior das normalidades tirando a passagem de um benfiquista pelo nosso meio que escorregou numa faixa e caiu pelas escadas abaixo… Ainda se aleijou bastante mas o INEM tratou de o levar para o Hospital mais próximo

7ªparte – O Regresso

Não posso falar muito da viagem de regresso pois vim a descansar um pouco. Apenas me recordo de umas sandes de leitão que um dos nossos elementos que apanhamos na estação de repouso da Mealhada trouxe. Estavam realmente ÓPTIMAS.

Aguardo pela próxima deslocação!